Ambientalismo urbano neoliberal e a cidade adaptável

Emissão de poluentes

Neste artigo Mark Whitehead expõe que as estratégias de adaptação climática urbana estão sendo formuladas por práticas neoliberais de governo orientadas ao mercado, aumento das privatizações e empreendedorismo ambiental urbano.

O artigo “Ambientalismo urbano neoliberal e a cidade adaptável: por uma teoria urbana crítica e alterações climáticas”, é um dos destaques da edição nº 18 da Revista eletrônica e-metropolis.

Abstract

This paper explores the potential contribution of critical urban theory to the intellectual and political debates surrounding climate change. While it is possible to identify an emerging strand of critical enquiry concerning the role of cities in facilitating climate change mitigation and adaptation strategies, this paper argues that the full implications of critical urban theory to climate change studies have yet to be realised. In this paper, critical urban theory is understood as an approach (or set of approaches) to the city that recognises the contingent form of urban politics and policy, while asserting that, far from being an inevitable and politically neutral process, urbanisation is an expression of intersecting regimes of social power. This paper utilises critical urban theory as a basis for analysing emerging urban climate adaptation strategies. The analysis presented here asserts that contemporary adaptation policies are being framed by neoliberal practices of market-oriented governance, enhanced privatisation and urban environmental entrepreneurialism. This paper exposes some of the key contradictions that are inherent within neoliberalised urban climate change adaptation strategies and suggests how it might be possible to develop more progressive adaptation regimes.

INTRODUÇÃO: A CARBONIZAÇÃO DA CIDADE À URBANIZAÇÃO DO CLIMA

Em seu livro recente Climatopolis: how our cities will thrive in the hotter future (Climatopolis: como nossas cidades se desenvolverão no futuro mais quente), Matthew E. Kahn afirma que “alterações climáticas afetarão o cenário competitivo das cidades, e as pessoas serão capazes de escolher o vencedor manifestando seu posicionamento” (Kahn, 2010, p. 11).1 A visão de Kahn aborda as questões de urbanização e alterações climáticas de maneira aparentemente original, ainda que, de certa forma, preocupante. As opiniões de Kahn são perturbadoramente originais em pelo menos dois aspectos. Primeiro, com relação à conexão que ele estabelece entre alterações climáticas e vantagem competitiva urbana. Apesar do recente trabalho de Hodson e Marvin (2009) ter sugerido que ameaças às cidades em um futuro próximo, como alterações climáticas, sejam entendidas em relação à lógica competitiva da segurança ecológica urbana, há uma tendência das alterações climáticas existirem no inconsciente coletivo como um problema comum, não como base para uma acumulação de riqueza diferenciada (Rifkin, 2009).

Em segundo lugar, está a associação positiva que Kahn faz entre alterações climáticas e sucesso urbano. Certo ou errado, discursos sobre alterações climáticas urbanas costumam enfatizar os custos que mudanças climáticas trarão às cidades, não as vantagens socioeconômicas associadas. Embora aparentemente original e singular, este artigo afirma que a interpretação de Khan para a relação entre desenvolvimento urbano e alterações climáticas realmente reflete as estratégiasde adaptação às alterações climáticas de várias autoridades urbanas, governos nacionais e agências internacionais.

(Eu discutirei por que a visão urbana de Kahn da adaptação às mudanças climáticas urbanas é emblemática para as políticas de alterações climáticas urbanas existentes, mais adiante neste artigo). Este trabalho interpreta o impulso competitivo e o otimismo urbano sintetizados por Kahn como parte da lógica estabelecida sobre o ambientalismo urbano neoliberal (Bernstein, 2000, 2001; ver também Anderson e Leal, 1991; Young, 2002). De maneira geral, o ambientalismo urbano neoliberal é mais bem concebido como um poderoso quadro normativo internacional, que teve origem com o desenvolvimento de políticas ambientais durante a década de 1970 e relacionou explicitamente proteção ecológica com crescimento econômico, mecanismos de mercado e um sistema urbano amplamente desregulado.

Este artigo tem como objetivo desvendar e criticar o conhecimento implícito e as práticas associadas ao ambientalismo urbano neoliberal ao serem aplicados às políticas de adaptação às alterações climáticas. O artigo tem como foco as questões de adaptação climática urbana por duas razões principais. Primeiro, e de acordo com a ênfase que se deu a mais ações para adaptação a partir da décima terceira Conference of the Parties em Bali, em 2007, está se tornando claro que comunidades urbanas são, em certa medida, fechadas aos efeitos das alterações climáticas (UNFCCC, 2011, seção II; ver também McKibbin e Wilcoxen, 2004). Consequentemente, nos últimos anos, o programa de alterações climáticas metropolitanas observou um aumento da mescla de medidas de adaptação com políticas de atenuação (UNFCCC, 2011, seção II). Em segundo lugar, este artigo concentra-se nas questões sobre adaptação urbana exatamente porque as associações entre esses regimes políticos e o ambientalismo urbano neoliberal são sempre obscurasou deliberadamente ofuscadas.

Embora políticas de mitigação de alterações climáticas e medidas associadas de comércio de carbono e modernização ecológica sustentem as marcas claras do  neoliberalismo, os pressupostos claros associados com adaptação estão sempre mascarados por uma retórica de cuidado, defesa e proteção urbana. Este artigo defende que um primeiro passo fundamental para identificar essas lógicas e, depois, avaliar seus resultados prováveis, é considerar a ampla contribuição da teoria urbana crítica ao estudo do assim clamado climatopolis (Kahn, 2010). Uma correlação com a teoria urbana crítica é importante porque apesar da carbonização da política urbana (vide Rice, 2010) e a urbanização da política de alterações climáticas terem sido decretadas, descritas e criticamente analisadas, apenas uma atenção limitada foi dada neste trabalho à natureza da urbanização neoliberal.

Isso não é, certamente, para dizer que não tenha havido trabalhos críticos valiosos sobre alterações climáticas urbanas, mas que este trabalho não constitui uma teoria crítica da urbanização propriamente dita. Este artigo tem início com o mapeamento da ausência de teoria urbana crítica a partir de trabalhos que exploram a interface entre cidades e alterações climáticas. A análise, então, se direciona para a consideração da natureza da teoria urbana crítica e sua potencial utilidade para pesquisas de alterações climáticas. A seção  seguinte aborda ortodoxias neoliberais que parecem apoiar certas estratégias de adaptações climáticas urbanas.

Finalmente, a análise considera o que a teoria urbana clássica pode nos dizer a respeito das contradições, injustiças e limitações potenciais associadas às políticas de adaptação urbanas contemporâneas orientadas ao mercado.

Acesse o artigo completo na edição nº 18 da Revista e-metropolis.

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