Metrópoles brasileiras: inflexão na ordem urbana?

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Como atividade de encerramento do seu programa de pesquisa no período 2009-2015, o INCT Observatório das Metrópoles realizou Seminário Nacional, de 9 a 11 de dezembro, no qual foram discutidas as sínteses comparativas sobre as transformações urbanas ocorridas nos últimos 30 anos nas 14 metrópoles principais metrópoles do país. Os textos apresentados pelos Núcleos Regionais do Observatório tiveram como base o texto “Transformações na ordem urbanas nas metrópoles”, elaborado pelo professor Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro, coordenador nacional, no qual foram propostos os fundamentos da reflexão comparativa empreendida.

Segundo Ribeiro, de acordo com o modelo de análise adotado pelo Observatório, não obstante o período analisado compreender ao menos três distintas conjunturas macro econômica – crise dos anos 1980, experimento neoliberal e experimento neodesenvolvimentista – da aceleração da transição demográfica, da diminuição das desigualdades de renda, da expansão do emprego formal, das políticas sociais, etc. – permanecem as principais marcas da ordem urbana das metrópoles: a produção e uso do espaço construído das metrópoles como base de sustentação do padrão de desenvolvimento capitalista brasileiro. Por outro lado, os trabalhos apresentados bem como os debates  suscitados, apontaram que no final do longo período analisado a emergência de transições importantes na ordem urbana das metrópoles.

Estudos sobre a ordem urbana

O Seminário Nacional “As Metrópoles e as transformações urbanas: desigualdades, coesão social e governança democrática” teve como objetivo consolidar um livro síntese comparativo sobre as 14 principais metrópoles brasileiras.

Para alcançar esse fim, o coordenador nacional do Observatório das Metrópoles, Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro, apresentou o texto “Transformações na ordem urbana nas metrópoles: bases para uma síntese comparativa” no qual mostra as bases teóricas e metodológicas para a realização da síntese comparativa nacional.

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Luiz Cesar Ribeiro no lançamento da coleção “Metrópoles: transformações na ordem urbana”

De acordo com Ribeiro, o texto propõe alguns temas de reflexão sobre a importância e os desafios do método comparativo nos estudos urbanos como prática de pesquisa que possa permitir enfrentar criticamente o atual debate internacional sobre a teoria urbana. “Nesse aspecto, retorno às discussões iniciadas com a criação da Rede Latino-Americana de Teoria Urbana em 2011 (da qual o Observatório das Metrópoles faz parte), cuja intenção central é abrir caminhos para a construção de marcos teóricos – e epistemológicos – que incentivem a retomada no mundo acadêmico de um pensamento urbano latino-americano crítico e capaz de capturar a nossa historicidade”, explica e acrescenta:

“A reflexão sobre os objetivos, possibilidades, modalidades e limites da pesquisa comparativa parece uma estratégia fundamental no esforço coletivo de formulação das bases para a pesquisa urbana na América Latina que dialogue com o que se apresenta como teoria urbana universal e, ao mesmo tempo, busque capturar as nossas particularidades históricas ou até mesmo nos leve refazer estas mesmas teorias”.

Segundo ainda Luiz Cesar Ribeiro, a experiência de pesquisa comparativa realizada pelo Observatório das Metrópoles pode servir de base para essa reflexão. “Estamos conscientes de que o debate sobre a comparação se organiza na escala internacional, tomando casos de cidades pertencentes a países distintos, mas todas submetidas à hipótese de uma causalidade comum de transformação urbana gerada pela globalização. Contudo, considerando, de um lado, a dimensão continental do Brasil e suas fortes diferenças regionais – econômicas, antes de qualquer coisa, mas não apenas –, e de outro lado, o fato de todas estarem submetidas às mesmas dinâmicas de transformação resultantes da mudança do modelo de desenvolvimento, acreditamos estar diante de um quadro nacional que coloca desafios metodológicos, senão iguais, similares aos enfrentados nas pesquisas internacionais”.

O texto “Transformações na ordem urbana nas metrópoles: bases para uma síntese comparativa” está estruturado em 5 seções, além da introdução.

Na primeira, apresenta de maneira sintética o quadro geral da urbanização brasileira para destacar a importância da nossa particularidade histórica como um país que se urbanizou rapidamente e que simultaneamente criou grandes metrópoles. A intenção é oferecer informações que ajudem a compreender os objetivos do programa nacional de pesquisa comparativa do Observatório das Metrópoles, objeto da segunda parte da texto.

Em seguida, apresenta o projeto empírico construído com o intuito de operacionalizar o objetivo de gerar leituras monográficas que capturem as particularidades históricas de cada metrópole e que possam gerar, ao mesmo tempo, um quadro empírico comparativo das transformações urbanas nas metrópoles.

Na terceira e última parte destaque para escolha teórico-metodológica que preside a atual etapa do projeto na qual se pretende passar dos fundamentos empíricos para a construção de uma explicação sociológica. Segundo Ribeiro, pretende-se suscitar o debate sobre as possibilidades de superar as oposições entre o globalismo intelectual e o empirismo sem modelo teórico. Por último, apresenta um esboço do que se pode considerar como as bases do conceito de ordem urbana com o qual o Observatório das Metrópoles pretende interpretar a relação entre a dinâmica da organização social do território das metrópoles e a reprodução das desigualdades sociais e das relações sociais.

Faça o download do texto “Transformações na ordem urbana nas metrópoles: bases para uma síntese comparativa”.

Coleção Metrópoles: transformações na ordem urbana

A Rede Nacional INCT Observatório das Metrópoles está encerrando, em 2015, o seu programa qüinqüenal de pesquisa (2009-2015), no âmbito do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (CNPq/MCT&I), envolvendo cerca de 200 pesquisadores direta e indiretamente mobilizados nas 14 principais metrópoles brasileiras.

Ao longo dessa trajetória de 5 anos foi desenvolvida a pesquisa nacional comparativa a respeito das transformações urbanas ocorridas no período de 1980-2010 nas metrópoles pesquisadas pelo Observatório. O resultado deste grande projeto é a Coleção “Metrópoles: transformações na ordem urbana”, talvez a análise mais completa sobre a evolução urbana do país, servindo assim de subsídio para a elaboração de políticas públicas e para o debate sobre o papel metropolitano no desenvolvimento nacional.

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Equipe da Rede Observatório das Metrópoles durante lançamento da coleção “Metrópoles: transformações na ordem urbana”

A coleção é composta de 14 livros, 169 capítulos e cerca de 270 autores das mais variadas áreas do saber analisando as transformações urbanas das principais metrópoles do Brasil no período 1980-2010, a partir de temas como organização social do território, demografia, rede urbana, dinâmicas de metropolização, moradia, mobilidade urbana, governança metropolitana, bem-estar urbano, entre outros.

Os livros estão disponível para download gratuito no site:

http://transformacoes.observatoriodasmetropoles.net/

Livro “Megaeventos: impactos da Copa e Olimpíadas no Brasil”

Publicado pelo Observatório das Metrópoles

Livro “Megaeventos: impactos da Copa e Olimpíadas no Brasil”

Por Breno Procópio – Jornalista do Observatório das Metrópoles

Quais legados os megaventos esportivos estão deixando para o Brasil? E para quem? A Rede INCT Observatório das Metrópoles promove o lançamento do livro “Brasil: os impactos da Copa do Mundo 2014 e das Olimpíadas 2016” no qual oferece a análise mais completa sobre o legado efetivo dos grandes eventos esportivos no país: da relação entre os megaeventos e a mercantilização das cidades, passando pelos impactos econômicos, impactos das intervenções no direito à moradia, mobilidade e governança urbana, impactos para o futebol brasileiro; até as leituras temáticas para cada uma das 12 cidades-sede da Copa.

O lançamento do livro “Brasil: os impactos da Copa do Mundo 2014 e das Olimpíadas 2016” aconteceu, na quarta-feira (29 de abril), na sede do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro e contou com a participação do coordenador nacional do INCT Observatório das Metrópoles, profº Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro; do coordenador nacional da pesquisa “Metropolização e Megaeventos”, profº Orlando Alves dos Santos Júnior; da representante do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro, Inalva Mendes Brito; do representante da FINEP, Daniel Soares; e da professora e organizadora do livro “Megaeventos sobre São Paulo”, Clarissa Maria Rosa Gagliardi .

Segundo o profº Luiz Cesar Ribeiro, o livro mostra o esforço da Rede Observatório das Metrópoles de produzir uma pesquisa completa sobre os impactos dos megaeventos no Brasil. “Urbanistas, geógrafos, sociólogos e outros profissionais se dedicaram a investigar cada uma das 12 cidades envolvidas na Copa. Também se propuseram a analisar, no plano nacional, dimensões essenciais da vida metropolitana, tais como a mobilidade, a moradia e as políticas de segurança”, afirma Ribeiro e completa: “As análises apontaram que os megaeventos esportivos fazem parte da adoção de um padrão de governança empreendedorista neoliberal, que promove um novo ciclo de mercantilização em nossas cidades”.

Profº Luiz Cesar Ribeiro

Para Daniel Soares, a FINEP acertou ao financiar uma pesquisa inovadora como essa realizada pelo Observatório das Metrópoles. “Inovadora porque não temos muitas pesquisas sobre a realização de megaeventos esportivos em países periféricos como o Brasil, especialmente em no contexto dos megaeventos que conhecemos hoje e que se reconfigurou a partir da década de 1980. Além disso, inovadora porque acompanha o processo, avalia os impactos e a transformação das cidades brasileiras sob a intervenção dos grandes eventos esportivos”, argumenta. “Acreditamos que o livro que está sendo lançado agora poderá subsidiar atores públicos na tomada de decisões – tanto em âmbito nacional quanto internacional”, afirma Soares.

Daniel Soares, Finep

Durante a sua fala Inalva Mendes Brito destacou o apoio dado pela Rede Observatório das Metrópoles aos movimentos sociais, e a articulação conjunta com o Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro na produção de dados e informações para subsidiar a luta dos ameaçados pelas remoções. “Os Comitês Populares tiveram uma atuação fundamental, pois narraram as violações de direitos humanos durante o processo, ou seja, não é uma fala posterior mas sim de que está inserido nas transformações sociais e históricas. E foi muito importante essa atuação pois está inserida em um momento de recrudescimento da mercantilização da cidade”, afirma Inalva Mendes Brito.

Inalva Mendes Brito, Comitê Popular da Copa

O evento de lançamento do livro contou com pesquisadores dos núcleos de Recife, Cuiabá, Brasília e Manaus, Fortaleza, São Paulo e Porto Alegre, e mais a equipe nacional sediada no Rio de Janeiro.

Equipe Megaeventos do Observatório das Metrópoles

Os megaevento esportivos e a emergência da governança empreendedorista

“Segundo o geógrafo David Harvey, ‘o espetáculo sempre foi uma potente arma política’, mas tal atributo se intensificou nos últimos anos como forma de projeção e controle social na cidade, no contexto da ascensão do modelo de gestão urbana empreendedorista  neoliberal”. (Gilmar Mascarenhas, Prefácio Livro Brasil: impactos da Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016).

De acordo com o profº Orlando dos Santos Jr., a análise da pesquisa “Metropolização e Megaeventos” confirma neste momento a hipótese inicial do projeto de que associado aos megaeventos estaria em curso – em todo o mundo, como fato global – o que David Harvey chamou de “urbanização do capital” como expressão das novas condições impostas para a circulação do capital crescentemente sobreacumulado e financeirizado.

“O que se verifica é um processo que torna necessário mercantilizar o que antes estava fora do circuito da mercadoria e (re) mercantilizar o que foi colocado sob  regime da proteção de instituições sociais por sua importância para a reprodução da vida. A cidade – juntamente com a cultura – é a nova fronteira em vias de desbravamento, explorada como tentativa de solução espaço-temporal dos efeitos da exacerbação da sua estrutural crise de acumulação”, argumenta Orlando.

Nesse sentido, os megaeventos expressam um projeto urbano de renovação e reestruturação da cidade. Ou seja, é impossível falar de megaeventos esportivos sem falar do projeto de cidade, como dois processos inseparáveis.

Segundo Orlando, o projeto urbano de renovação e reestruturação das cidades-sede parecem apontar para três direções não excludentes entre si: (1) no fortalecimento de centralidades já existentes das cidades; (ii) na renovação ou revitalização de centralidades decadentes no interior das cidades-sede; (iii) na criação de novas centralidades, através de grandes investimentos em áreas específicas das cidades-sede.

“Pegando o caso do Rio de Janeiro, percebe-se que as intervenções vinculadas à preparação da cidade para receber a Copa do Mundo e as Olimpíadas vêm ocorrendo prioritariamente em três áreas, a Zona Sul, confirmando o fortalecimento da centralidade que já caracteriza este espaço; a Área Portuária, refletindo o investimento na renovação e revitalização de uma centralidade considerada decadente; e Barra da Tijuca, que expressa a construção de uma nova centralidade”.

O livro Brasil: impactos da Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016 apresenta 10 proposições que servem de chave de leitura para entender os principais impactos dos megaeventos esportivos no país.

1) Os projetos de intervenção e renovação urbana implementados nas cidades-sede são a expressão de uma nova rodada de mercantilização das cidades;

2) A realização dos megaeventos esportivos está associada à difusão de um novo modelo de governança empreendedorista neoliberal nas cidades-sede;

3) Os processos de neoliberalização potencializados pelos megaeventos esportivos ocorrem de forma diferenciada em cada cidade-sede, tendo em vista a especificidade de cada contexto local;

4) As intervenções vinculadas à preparação para a Copa do Mundo e as Olimpíadas promovem um processo de destruição/criação de instituições, regulações e de centralidades no espaço urbano;

5) A implementação dos projetos de reestruturação urbana vinculados aos megaeventos esportivos encontram diversas barreiras que ensejam diversos conflitos urbanos;

6) Os projetos de renovação e reestruturação urbana vinculados à Copa do Mundo e às Olimpíadas promovem um processo de relocalização dos pobres nas cidades;

7) A Copa do Mundo e as Olimpíadas estão associadas à promoção de novos canais decisórios sem participação social e a adoção de leis de exceção que expressam a subordinação do poder público aos agentes de mercado;

8) A preparação da Copa do Mundo e das Olimpíadas tem servido para difundir um modelo de gestão fundado nas parcerias público-privadas;

9) A Copa do Mundo e as Olimpíadas promovem a reconfiguração do futebol e das práticas esportivas;

10) Megaeventos esportivos têm promovido o empreendedorismo urbano no contexto internacional.

Faça o download do livro “Brasil: impactos da Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016” e leia sobre as principais análises sobre o legado dos megaeventos esportivos para o país.

Lançamento do livro “Brasil: os impactos da Copa 2014 e das Olimpíadas 2016”

O Observatório das Metrópoles promove, nesta quarta-feira (29 de abril), o lançamento do livro “Brasil: os impactos da Copa 2014 e das Olimpíadas 2016”.

Segundo o jornalista Juca Kfouri, a obra apresenta um balanço esclarecedor e preocupante sobre os legados dos megaeventos esportivos no país – elefantes brancos como estádios, paralisia da produção, remoções e violações de direito.

No evento também serão lançados livros do projeto “Metropolização e Megaeventos” com os resultados (legados) das cidades-sedes da Copa do Mundo 2014.

O evento acontece no Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, e contará com a participação dos professores Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro (coordenador nacional do Observatório das Metrópoles); Orlando Alves dos Santos Júnior (organizador do livro); Inalva Mendes Brito (Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro); Daniel Soares (FINEP); Clarissa Maria Rosa Gagliardi (Coordenadora da Pesquisa sobre os Megaeventos em São Paulo).

http://www.observatoriodasmetropoles.net/index.php…

Foto de Observatório das Metrópoles.

Lançamento do livro “O terceiro território: habitação coletiva e cidade”

blog da Raquel Rolnik

São raros os momentos em que a arquitetura encontra a cidade real. O lançamento do livro O terceiro território: habitação coletiva e cidade é um deles.

Com textos de Héctor Vigliecca, Lizete Rubano e Luiz Recamán, o livro será lançado no dia 23 de abril, em São Paulo, e no dia 28 de abril, no Rio de Janeiro.

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Awesome Infographic Shows Benefits of Sustainable Transport

Posted by Sustainable Cities Collective

A family travels by train in Germany. Photo by Edo Medicks/Flickr.

They say a picture is worth a thousand words. So what about an infographic?

Information graphics, or infographics, recently emerged as a highly popular and effective medium for visualizing and sharing information. According to visual.ly, a website that helps users tell their stories visually, an infographic is: data, sorted, arranged, and presented visually. In other words, an infographic is a visual image used to convey information.

Infographics are powerful. Why? Mark Smiciklas, a digital strategist and consultant, offers three simple explanations: Infographics are easy to digest, easy to share, and cool. Further, the range of information infographics can convey is literally infinite – infographics even come in handy to explain sustainable transport.

For today’s Friday Fun, here are a few great infographics courtesy of the Cities Collective, a partnership between Future Cape Town and Urban Times.

These infographics highlight the many co-benefits of sustainable transport – which are so numerous that when you focus on just one it’s easy to lose sight of the others. From increasing access to economic opportunities like jobs and markets, improving road safety, reducing traffic congestion and passenger travel time, mitigating vehicle emissions that contribute to climate change, and making our cities healthier and more livable, there’s a lot to keep in mind. The bottom line is that alternatives to private vehicles – like public transport, walking, and bicycling – can be safer, more effective, healthier for you and the environment, and fun. As a reader of TheCityFix, I bet you didn’t need an infographic to tell you that. Enjoy!

Inclusive and sustainable transport. Infographic by Asian Development Bank.

The many connections between transport and health. Infographic by NewPublicHealth.org/Robert Wood Johnson Foundation.