Cidades virtuais: uso de games para estudos urbanos

Publicado por Observatório das Metrópoles

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Imagem do jogo SimCity (simulador de gestão de cidades)        Crédito: Reprodução/Web

 

A Rede INCT Observatório das Metrópoles vem desenvolvendo pesquisas como foco na inovação para a formação do chamado Profissional da Cidade, tanto na esfera das políticas públicas quanto na inserção desse profissional na nova Era do Conhecimento, pautada pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). O projeto “Cidades virtuais: uso de games para estudo de arquitetura e urbanismo”, do professor Pablo Lira (IJSN/UVV), é um exemplo de inovação em práticas pedagógicas: ele inseriu o game “SimCity” (simulador de cidades) nas aulas de Arquitetura e Urbanismo, permitindo aos estudantes verificar em ambiente virtual simulado a aplicabilidade e efetividade das teorias, instrumentos e mecanismos do planejamento urbano. O projeto foi um dos premiados do Prêmio Inova UVV 2015.

Pablo Lira é geógrafo do Instituto Jones dos Santos Neves (Governo do Espírito Santo), professor da Graduação do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Vila Velha e coordenador do Núcleo Vitória do INCT Observatório das Metrópoles.

Ele conta que o projeto “Cidades Virtuais” surgiu em 2014 de uma capacitação da UVV para o corpo docente, sendo que a proposta era desenvolver práticas inovadoras em sala de aula. “Nesse treinamento tive a idéia de usar o game SimCity – um simulador computacional de gestão cidades – no plano da disciplina Fundamentos Sociais, Econômicos e Ambientais de Arquitetura e Urbanismo. A proposta era que os estudantes pudessem aplicar na prática virtual as teorias urbanas que estudávamos em sala”, relata e completa:

“O projeto “Cidades Virtuais” visa estimular os alunos a refletir de forma inovadora, em uma perspectiva heurística, para encontrar soluções, com base nas teorias trabalhadas nas aulas expositivas, para problemas complexos no campo da Arquitetura e Urbanismo. Nossos futuros arquitetos e urbanistas, com a referida dinâmica, exercitam e desenvolvem suas capacidades técnicas, de liderança, de gestão e de trabalho em equipe, bem como princípios de ética e cidadania”, afirma.

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Pablo Lira fala sobre “Cidades Virtuais” durante a premiação do Prêmio Inova UVV

SIMULADOR DE CIDADES NA SALA DE AULA

Pablo conta que o SimCity possibilita práticas de planejamento, construção e gerenciamento de uma cidade a partir de um território delimitado.

Em sala de aula, ele propõe a formação de grupos que serão gestores de várias cidades. No início do jogo, o grupo irá conceber a cidade a partir da topografia, hidrografia, cobertura florestal e definir espécies de fauna e flora.

Na etapa seguinte, os estudantes assumem o “modo Prefeito” e passam a planejar e gerenciar a cidade, controlar o orçamento e finanças municipais, monitorar as condições ambientais e administrar uma série de questões urbanas, como por exemplo:

  • zoneamento agrário, industrial, residencial e comercial;
  • manutenção de infraestrutura;
  • saneamento básico;
  • vias públicas;
  • educação, saúde e segurança;
  • greves de funcionários públicos;

“Em cada equipe é eleito um líder que representa a figura do gestor maior da cidade. Os demais membros das equipes assumem importantes papeis de conselheiros, planejadores e secretários municipais”, explica Pablo e finaliza: “A atividade lúdica do jogo desafia os alunos estimulando o desenvolvimento do raciocínio lógico, reflexivo e analítico que é exercitado individualmente e coletivamente nas equipes”.

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Estudantes de Arquitetura e Urbanismo UVV simulando a gestão da cidade

Pablo aponta ainda que a divisão da turma em equipes favorece o debate, trabalho em grupo e aprendizado cooperativo. “O papel do educador é instruir e supervisionar o trabalho de maneira geral com a turma e prestar orientação particularizada em cada equipe”.

POTENCIALIDADES

O caráter interdisciplinar do projeto “Cidades Virtuais” também evidencia interfaces com outras disciplinas da grade do curso de Arquitetura e Urbanismo, a saber:

  • Introdução à Arquitetura e Urbanismo;
  • Conforto, Saúde e Segurança;
  • Teoria e História da Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo;
  • Planejamento Territorial, Ambiental e Urbano.

E possibilita aos alunos explorar uma série de novos conhecimentos relacionados ao planejamento e gestão urbana que vão além do curso de Arquitetura e Urbanismo, como por exemplo:

  • finanças públicas
  • estatística
  • cartografia
  • geoprocessamento
  • estrutura econômica
  • setores produtivos
  • transportes e obras públicas
  • logística
  • engenharia

Com a utilização do SimCity, os estudantes podem verificar em ambiente virtual simulado a aplicabilidade e efetividade de instrumentos e mecanismos da política urbana e políticas setoriais como:

  • zoneamento urbanístico;
  • definição de índices urbanismos;
  • uso e ocupação do espaço urbano;
  • mobilidade e modais de transportes;
  • saneamento e habitação;
  • abastecimento hídrico;
  • matriz energética, entre outros;

ENVOLVIMENTO

Segundo Pablo Lira, o envolvimento dos alunos com a disciplina aumentou muito com o uso do jogo. “Antes de aplicar essa dinâmica, os alunos sempre ficavam mais cansados. Vejo a maioria muito motivada, e aplicando os conhecimentos teóricos em uma experiência de gestão da cidade. No final do semestre realizamos um seminário no qual cada grupo apresenta o resultado do seu planejamento-gestão a partir da perspectiva social, econômica, ambiental”.

PERSPECTIVAS FUTURAS

Pablo conta que já está avaliando a possibilidade de trabalhar concomitantemente este projeto em plataformas de smartphones, considerando que já existe uma versão gratuita do jogo SimCity para essas novíssimas tecnologias.

Além disso, pretende replicar a experiência em outros cursos da UVV, bem como submissão de artigos em periódicos.

Ele já está usando o simulador de cidades no Curso de Pedagogia no qual ensina a disciplina Fundamentos do Ensino de Geografia. “Eu uso o simulador na pedagogia para que os estudantes pensem o espaço geográfico, a relação do homem com o espaço, as relações socioespaciais etc”, explica e conclui:

“Vivemos numa Era Urbana, e todos estão vivendo e produzindo na cidade. Ela é o nosso espaço de açao, portanto todos os profissionais devem olhar para a Cidade, refletir sobre seu funcionamento, políticas, sustentabilidade etc”.

Ambientalismo urbano neoliberal e a cidade adaptável

Emissão de poluentes

Neste artigo Mark Whitehead expõe que as estratégias de adaptação climática urbana estão sendo formuladas por práticas neoliberais de governo orientadas ao mercado, aumento das privatizações e empreendedorismo ambiental urbano.

O artigo “Ambientalismo urbano neoliberal e a cidade adaptável: por uma teoria urbana crítica e alterações climáticas”, é um dos destaques da edição nº 18 da Revista eletrônica e-metropolis.

Abstract

This paper explores the potential contribution of critical urban theory to the intellectual and political debates surrounding climate change. While it is possible to identify an emerging strand of critical enquiry concerning the role of cities in facilitating climate change mitigation and adaptation strategies, this paper argues that the full implications of critical urban theory to climate change studies have yet to be realised. In this paper, critical urban theory is understood as an approach (or set of approaches) to the city that recognises the contingent form of urban politics and policy, while asserting that, far from being an inevitable and politically neutral process, urbanisation is an expression of intersecting regimes of social power. This paper utilises critical urban theory as a basis for analysing emerging urban climate adaptation strategies. The analysis presented here asserts that contemporary adaptation policies are being framed by neoliberal practices of market-oriented governance, enhanced privatisation and urban environmental entrepreneurialism. This paper exposes some of the key contradictions that are inherent within neoliberalised urban climate change adaptation strategies and suggests how it might be possible to develop more progressive adaptation regimes.

INTRODUÇÃO: A CARBONIZAÇÃO DA CIDADE À URBANIZAÇÃO DO CLIMA

Em seu livro recente Climatopolis: how our cities will thrive in the hotter future (Climatopolis: como nossas cidades se desenvolverão no futuro mais quente), Matthew E. Kahn afirma que “alterações climáticas afetarão o cenário competitivo das cidades, e as pessoas serão capazes de escolher o vencedor manifestando seu posicionamento” (Kahn, 2010, p. 11).1 A visão de Kahn aborda as questões de urbanização e alterações climáticas de maneira aparentemente original, ainda que, de certa forma, preocupante. As opiniões de Kahn são perturbadoramente originais em pelo menos dois aspectos. Primeiro, com relação à conexão que ele estabelece entre alterações climáticas e vantagem competitiva urbana. Apesar do recente trabalho de Hodson e Marvin (2009) ter sugerido que ameaças às cidades em um futuro próximo, como alterações climáticas, sejam entendidas em relação à lógica competitiva da segurança ecológica urbana, há uma tendência das alterações climáticas existirem no inconsciente coletivo como um problema comum, não como base para uma acumulação de riqueza diferenciada (Rifkin, 2009).

Em segundo lugar, está a associação positiva que Kahn faz entre alterações climáticas e sucesso urbano. Certo ou errado, discursos sobre alterações climáticas urbanas costumam enfatizar os custos que mudanças climáticas trarão às cidades, não as vantagens socioeconômicas associadas. Embora aparentemente original e singular, este artigo afirma que a interpretação de Khan para a relação entre desenvolvimento urbano e alterações climáticas realmente reflete as estratégiasde adaptação às alterações climáticas de várias autoridades urbanas, governos nacionais e agências internacionais.

(Eu discutirei por que a visão urbana de Kahn da adaptação às mudanças climáticas urbanas é emblemática para as políticas de alterações climáticas urbanas existentes, mais adiante neste artigo). Este trabalho interpreta o impulso competitivo e o otimismo urbano sintetizados por Kahn como parte da lógica estabelecida sobre o ambientalismo urbano neoliberal (Bernstein, 2000, 2001; ver também Anderson e Leal, 1991; Young, 2002). De maneira geral, o ambientalismo urbano neoliberal é mais bem concebido como um poderoso quadro normativo internacional, que teve origem com o desenvolvimento de políticas ambientais durante a década de 1970 e relacionou explicitamente proteção ecológica com crescimento econômico, mecanismos de mercado e um sistema urbano amplamente desregulado.

Este artigo tem como objetivo desvendar e criticar o conhecimento implícito e as práticas associadas ao ambientalismo urbano neoliberal ao serem aplicados às políticas de adaptação às alterações climáticas. O artigo tem como foco as questões de adaptação climática urbana por duas razões principais. Primeiro, e de acordo com a ênfase que se deu a mais ações para adaptação a partir da décima terceira Conference of the Parties em Bali, em 2007, está se tornando claro que comunidades urbanas são, em certa medida, fechadas aos efeitos das alterações climáticas (UNFCCC, 2011, seção II; ver também McKibbin e Wilcoxen, 2004). Consequentemente, nos últimos anos, o programa de alterações climáticas metropolitanas observou um aumento da mescla de medidas de adaptação com políticas de atenuação (UNFCCC, 2011, seção II). Em segundo lugar, este artigo concentra-se nas questões sobre adaptação urbana exatamente porque as associações entre esses regimes políticos e o ambientalismo urbano neoliberal são sempre obscurasou deliberadamente ofuscadas.

Embora políticas de mitigação de alterações climáticas e medidas associadas de comércio de carbono e modernização ecológica sustentem as marcas claras do  neoliberalismo, os pressupostos claros associados com adaptação estão sempre mascarados por uma retórica de cuidado, defesa e proteção urbana. Este artigo defende que um primeiro passo fundamental para identificar essas lógicas e, depois, avaliar seus resultados prováveis, é considerar a ampla contribuição da teoria urbana crítica ao estudo do assim clamado climatopolis (Kahn, 2010). Uma correlação com a teoria urbana crítica é importante porque apesar da carbonização da política urbana (vide Rice, 2010) e a urbanização da política de alterações climáticas terem sido decretadas, descritas e criticamente analisadas, apenas uma atenção limitada foi dada neste trabalho à natureza da urbanização neoliberal.

Isso não é, certamente, para dizer que não tenha havido trabalhos críticos valiosos sobre alterações climáticas urbanas, mas que este trabalho não constitui uma teoria crítica da urbanização propriamente dita. Este artigo tem início com o mapeamento da ausência de teoria urbana crítica a partir de trabalhos que exploram a interface entre cidades e alterações climáticas. A análise, então, se direciona para a consideração da natureza da teoria urbana crítica e sua potencial utilidade para pesquisas de alterações climáticas. A seção  seguinte aborda ortodoxias neoliberais que parecem apoiar certas estratégias de adaptações climáticas urbanas.

Finalmente, a análise considera o que a teoria urbana clássica pode nos dizer a respeito das contradições, injustiças e limitações potenciais associadas às políticas de adaptação urbanas contemporâneas orientadas ao mercado.

Acesse o artigo completo na edição nº 18 da Revista e-metropolis.

Seis desafios para mudar as cidades

Coluna publicada originalmente no Caderno Cotidiano da Folha.

Raquel Rolnik

HÁ quase um consenso no país de que nossas cidades não podem mais continuar como estão e que mudanças são necessárias se quisermos imaginar um futuro menos precário do que temos hoje, enfrentando temas urgentes como mobilidade, habitação e qualidade ambiental.

Considerando o profundo mal-estar urbano que vivemos, explicitado nas manifestações de junho de 2013, esse deveria ser um dos temas centrais do debate eleitoral.

Nossa crise urbana tem raízes profundamente entranhadas na forma como o Estado e a política estão organizados há décadas para gerir o território brasileiro. E dificilmente uma reforma que não encare essas questões poderá promover reais transformações.

Apresento aqui, muito brevemente, alguns temas estruturais que, acredito, precisam ser enfrentados nacionalmente:

1. O desafio federativo: o modelo que temos de administração do território -município/Estado/União-não dá conta da diversidade de realidades urbanas. Como podemos definir como “município” e atribuir as mesmas competências e responsabilidades a uma cidade isolada de mil habitantes e a uma metrópole de 20 milhões?

2. O desafio do financiamento do desenvolvimento urbano: não temos no país fontes estáveis e permanentes de financiamento da expansão e transformação urbana. De um lado, os municípios não desenvolvem fontes próprias (ai do prefeito que ousar taxar o patrimônio imobiliário!), dependendo crescentemente de transferências dos Estados e, principalmente, do governo federal.

De outro, o que o governo federal tem oferecido nas últimas décadas são recursos para construir casas, enterrar canos ou, secundariamente, construir infraestrutura viária. Mas cidades não são uma soma de casas, canos e vias!

3. O desafio do planejamento de longo prazo: transformações urbanas são processos longos, que envolvem no mínimo 15 anos para se consolidar. Entretanto, planos e projetos de longo prazo não resolvem a necessidade de eleger governantes a cada quatro anos, o que implica opções por intervenções que “apareçam” nesse período, mas que não são, em geral, capazes de promover mudanças estruturais.

4. A superação do controle da política urbana pelos “negócios urbanos”: empreiteiras, concessionárias de serviços de transporte e coleta de lixo, incorporadores e loteadores, embora sejam atores importantes no desenvolvimento das cidades, não podem definir seu rumo, sob pena de transformá-las em simples campo para extração de renda, ao invés de suporte para a vida coletiva de seus habitantes.

5. O desafio da construção do que é público: a vida urbana tem essencialmente uma dimensão pública e, nas cidades, os espaços e serviços públicos deveriam ser elementos estruturadores. Mas, para que isso seja possível, uma mudança é necessária na cultura política dos brasileiros, assumindo o que é público como propriedade coletiva de todos os seus cidadãos.

6. Por fim, não existe cidade que funcione quando suas qualidades são privilégios de poucos e as maiorias são condenadas a viver em “puxadinhos de cidade”. A verdadeira reforma urbana pressupõe a extensão do direito à cidade para todos, concluindo um processo de democratização que ainda não ocorreu no território urbano brasileiro.

Link original: Seis desafios para mudar as cidades

Building Resilience And Reducing Climate Risks In Cities

Climate change is the most determinant change factor of our time and cities must play a central part in addressing it.

This article is Part 9 of the Urban Planning for City Leaders series from the Crystal.

Climate change is the most determinant change factor of our time and cities must play a central part in addressing it. Cities are compelled to do so because the effects of climate change, which include rising sea levels, an increased frequency and severity of storms, precipitations, floods, droughts, hurricanes, heat waves and other extreme weather events would be for the most part felt by people living in urban areas; and because they produce ¾ of green house gas (GHG) emissions globally.

Building resilience in urban planning

Building resilience depends on the capacity to anticipate and plan for the future. The continued implementation of a plan that anticipates the effects of future shocks can help a city withstand them and rebuild itself when necessary.

Resilience is not an add-on but an integral part of a city’s plan

Hence, resilience is greatly influenced by the quality of local management, its capacity to anticipate and enforce, the availability of information and the quality of the infrastructure and services that the city provides.

Resilience is not an add-on but an integral part of a city’s plan. It can only be achieved if all components of the complex urban system are taken into consideration. Therefore, instead of seeing vulnerability as an additional concern to be address with stand-alone efforts, cities will benefit from better integrating resilience into urban planning.

Previous: Three Ways To Address Informal Settlements In Urban Planning

A resilient city is competitive and can sustain its advantage over time. By proactively increasing resilience, cities will be better positioned to absorb and respond to shocks. The primary purpose of urban investment is to enhance the functioning and performance of the relevant urban area. New investment for resilience will be more attractive for investors as it mitigates risk and enhances reliability of system performance. Resilience investments should aim to create a development premium for an urban area.

the cost of Hurricane Katrina … was estimated at USD 100 billion.

Inaction is expensive. Cities that have not been able to prepare themselves for the effects of extreme weather events have suffered severe disruption which will take decades to overcome. In the absence of action, the expected costs are high. The cost of Hurricane Katrina on New Orleans and other affected areas was estimated at USD 100 billion. In Manila, Bangkok, and Ho Chi Minh City, costs of damage from climate change-related flooding are likely to be substantial, ranging from 2 to 6% of regional GDP.

Adapt to reduce vulnerability

In addition to loss of life, extreme weather events cause major damage to property and infrastructure, resulting in massive economic and productivity losses. The estimates of sea level rise for this century vary between 18 cm and 2 metres, with cities such as Kolkata, Mumbai, Dhaka, Guangzhou and Ho Chi Minh City among the most affected. Much of Singapore’s city centre is built on reclaimed land and would be affected by sea level rise putting the financial district and other multi-million infrastructural investments at risk.

Vulnerable areas should be demarcated according to risk levels

Planning standards mainstream risk reduction into urban development. Vulnerable areas should be demarcated according to risk levels, for instance areas exposed to annual flooding, areas exposed to flooding once every 10 years and so on. Land use and building standards should be adjusted to each of those areas.

For instance, areas exposed to regular flooding should be left vacant or reserved for parks and sport facilities; trees and vegetation should be protected to sponge up water excess and prevent occupation. Building requirements in areas exposed to periodic flooding can include banning residential uses on ground floors and construction over pillars. Capacity building of planning staff and ongoing training for local builders and contractors, including informal ones, should be promoted. In Durban, the Municipal Adaptation Plan (MAP) incorporates climate change adaptation across departments in municipal day to day operations, planning and decision making.

Planning should guide development to non-vulnerable areas. Urban settlements often develop in hazardous areas due to a lack of land in safer locations. Unaffordable land leaves no alternative to the poor but to settle next to jobs and transportation nodes irrespective of how hazardous the site may be. Planning can guide growth away from high risk sites such as flood plains, areas affected by sea level rise and drought areas and encourage it there where it is safe. The layout of trunk infrastructure and rights-of-way, and public transportation networks are major tools for achieving this.

Infrastructure location and construction standards must be adapted to local risk factors so that roads, bridges, power lines and pipes can cope with extreme weather events. Adaptation cannot be separated from basic infrastructure deficits in drainage, water supply and sanitation. Heavy rains that would be channelled away causing no damage in one city can be devastating in informal areas lacking adequate drainage or where the system is clogged and not properly maintained. Potable water shortages can become more serious in contexts of substandard supply and contribute to spreading diseases.

Heavy rains that would be channelled away causing no damage in one city can be devastating in informal areas lacking adequate drainage

Most coastal zone related measures have centred on tackling floods through hard infrastructure. Regulating land use according to risk assessments is a proactive measure that can complement and improve the efficiency of such investments. Dhaka has reinforced river and canal embankments and built protective walls, sluice gates, and pumping stations, but also worked on addressing encroachment on several city canals which has reduced canal-filling and drain-clogging. The programme has proved effective in protecting over 50% of the city from major floods in 1998 and 2004. Singapore’s buffer zone development requires new land reclamations to be 2.25 metres above the highest recorded tide level.

Take advantage of climate change mitigation opportunities at the local level

Efforts to reduce emissions start with knowing how they are produced. An inventory allows a city to quantify its emissions, providing policy makers with a baseline and identifying reduction opportunities. It is important to set a clearly quantified GHG reduction target; most cities have established these as a percentage of improvement compared to the baseline year.

Emission reduction should be embedded in spatial and transport planning. Lower density development occupies more land, resulting in loss of forest and vegetation. This reduces nature’s CO2 uptake capacity. Compact city policies rationalise the use of land which creates opportunities for making compatible growth and the retention of open areas. Mixed-use reduces the need to travel, and if public transport could provide a time and cost advantage over private cars, car ownership would be dissuaded, reducing emissions.

Buildings consume about one third of energy worldwide throughout their life-cycle. Rapid population growth is expected to lead to an increase in the building stock, which under the “business as usual” model will entail a greater energy demand. Building regulations at the local level aimed at energy efficiency can contribute to reduce consumption and GHG emissions.

Industry can generate up half of a city’s total emissions. Although some industries have invested in energy efficiency and offsetting technology, it is still an energy intensive sector and can be extremely polluting.

Waste can generate up to one forth of emissions, the bulk of these stemming from burning of waste and disposal in uncontrolled sites. Waste generates 11% of total emissions in Mexico City, 20% in Bangkok and about 25% in Sao Paulo.

Urban greening, through projects such as tree-planting schemes and green roofs, can improve air quality and reduce the heat island effect.

Urban greening, through projects such as tree-planting schemes and green roofs, can improve air quality and reduce the heat island effect. In the US, carbon sequestration – the capture and storage of carbon – in forests has been estimated at between 1.5 and 6.5 metric tons of CO2 per hectare. However, even after saturation, trees would need to be sustained to maintain the accumulated carbon and prevent its release back in the atmosphere.

Captured methane in sanitary landfills can be used as an energy source to produce heat and hot water. The city of Lille reuses methane extracted from its municipal landfill for fuelling a share of its public bus fleet. Methane from Sao Paulo’s Bandeirantes plant generates 7% of the city’s electricity consumption, enough to supply a population of 600,000 for 10 years. The Okhla composting project in Delhi reduces around 1,600 tonnes of methane emissions per year which is equivalent to 34,000 tonnes of CO2.

Adapted from Urban Planning for City Leaders published by UN-HABITAT. Lead author: Pablo Vaggione

Original Link: Building Resilience And Reducing Climate Risks In Cities

28.8 million internally displaced people worldwide in 2012, record high includes five-fold increase in Syria / 28,8 milhões de pessoas deslocadas internamente em todo o mundo em 2012, recorde inclui aumento de cinco vezes na Síria / 28,8 millones de desplazados internos en todo el mundo en 2012, cifra récord incluye aumento de cinco veces en Siria

O que observamos no mundo inteiro é o aumento crescente da violência, mas não nos questionamos como isto de fato tem afetado a população. Esta pesquisa disponibilizada pelo IDMC revela dados alarmantes sobre o deslocamento populacional em função da violência. Os governos devem ficar atentos aos dados e buscar desenvolver politicas efetivas não apenas de combate à violência, mas também de inclusão de populações em situação de risco social, retirando-as da marginalidade (aqui entendida com à margem dos processos legais e acesso as equipamentos urbanos e sociais) e trazê-las para dentro da sociedade, de forma digna e inclusiva. Somente assim teremos uma real redução nos dados de violência.

O número de pessoas deslocadas por conflitos armados, violência e violações de direitos humanos no final de 2012 foi de 28,8 milhões, um aumento de 2,4 milhões de pessoas do que no ano anterior é o maior valor global já registrado pelo Centro de Monitoramento de Deslocados Internos (IDMC) .

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El número de desplazados internos por el conflicto armado, la violencia y violaciónes de derechos humanos a finales de 2012 era de 28,8 millones, un aumento de 2,4 millones de personas en el año anterior y la máxima figura mundial jamás ha informado el Observatorio de Desplazamiento Interno (IDMC) .

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GENEVA, 29 APRIL 2013: The number of people internally displaced by armed conflict, violence and human rights violations at the end of 2012 was 28.8 million, an increase of 2.4 million people on the previous year and the highest global figure ever reported by the Internal Displacement Monitoring Centre (IDMC).

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Much of the spike in the number of internally displaced people worldwide was due to the 2.4 million people displaced by the crisis within Syria by the end of 2012. Here, the acceleration of internal displacement is closely linked to the conflict, creating a ‘snowball effect’. In this context, internal displacement becomes a ‘moving target’ for those tasked with the response. Kate Halff, Director of IDMC

Press release for immediate release

Over 6.5 million people were newly displaced inside their home countries in 2012, almost twice as many as the year before. Because these people have not crossed a border, they are not refugees and do not benefit from international protection.

‘‘Much of the spike in the number of internally displaced people worldwide was due to the 2.4 million people displaced by the crisis within Syria by the end of 2012,’’ said Kate Halff, Director of IDMC. ‘‘Here, the acceleration of internal displacement is closely linked to the conflict, creating a ‘snowball effect’. In this context, internal displacement becomes a ‘moving target’ for those tasked with the response.”

Until the conflict in Syria is resolved, internal displacement will continue to accelerate. This phenomenon has been witnessed in other countries with protracted, on-going conflicts. These include Colombia, which continues to host the largest number of internally displaced people (IDPs) in the world, and the Democratic Republic of the Congo (DRC), which has the third largest IDP population behind Syria.

With 10.4 million IDPs reported in sub-Saharan Africa, this region hosts almost a third of the world’s total. In DRC, 1 million were forced to flee their homes as a consequence of a major upsurge in violence in the eastern provinces. ‘‘Years of insecurity in DRC have depleted the coping ability of both IDPs and those who host them, having a profound and devastating impact on peoples’ lives,” says Halff. While DRC has the largest new displacement figures after Syria, a large portion of the 2.7 million IDPs are living in situations of protracted displacement.

The report suggests that while a resolution to the conflict, particularly in Syria, is critical to the stabilisation of the internal displacement crisis, it highlights the importance of bridging the gap between emergency response and development activities. “90% of the countries monitored by IDMC have IDPs living in protracted displacement, often for decades while second and third generations are born into displacement,’’ says Halff. ‘‘Governments are responsible for finding long-term solutions for their displaced citizens. However, these can only be realised when governments and the international community recognise that people forced from their homes require not only a humanitarian response at the height of a crisis, but sustained engagement until a lasting solution is achieved.’’

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Read original news: 28.8 million internally displaced people worldwide in 2012